sábado, 23 de fevereiro de 2008

Arroz de marisco à uma da manhã

Na quinta-feira à noite, depois de ver o Impressing the Czar do William Forsythe no CCB (genial, by the way), fui jantar com dois amigos. Como a coreografia acabou já passava um bom bocado das onze da noite, fomos tarde e a más horas à procura de um restaurante que ficasse perto e que ainda nos servisse àquela hora. Acabámos em Alcântara, numa das cervejarias ao pé do viaduto. Era noite de jogo do Benfica e tinha chovido bem, por isso estava tudo bastante deserto. Tirando os pobres caranguejos e sapateiras no aquário ou duas ou três almas sentadas ao balcão, com ar de querer afogar a solidão numa mini, éramos os únicos no restaurante.
Uma das coisas de que falámos foi da loucura que são os dias de hoje: eles andam a trabalhar dia sim dia sim até às tantas e dizem que o gabinete onde estão está tão animado às 21.30 como se fossem três da tarde. Eu andei a tomar calmantes todos os dias desta semana (fraquinhos fraquinhos, nem sei se Valdispert é considerado um calmante, mas vamos lá dar um ar dramático à coisa, que eu antigamente nunca me metia nisto), e qualquer um de nós confessou que não consegue vislumbrar uma acalmia, pelo menos nos próximos tempos. Enquanto atacávamos as azeitonas - as mais amargas da minha vida, percebi ao fim de duas -, e o pão quente com manteiga de alho, queixávamo-nos de não ter tempo para nada, e sobretudo deste stress todo quase parecer normal hoje em dia, quando olhamos para o lado e conhecemos pelo menos mais meia dúzia de pessoas na mesma situação.
Por um lado é completamente triste que nunca consigamos combinar mais coisas, que tenhamos de deixar de lado convites e gostos porque simplesmente não temos tempo para eles ou não queremos que tudo na vida esteja marcado e tenha horários e se torne quase uma obrigação. Mas por outro, houve um momento em que tive uma epifania. Senti-me realizada e senti-me feliz: eram quase duas da manhã de um dia de semana, e nós estávamos ali, cansados que nem perús, a partilhar uma caçarola de arroz de marisco numa cervejaria deserta de Âlcantara e a falar como se nos víssemos todos os dias. E posso ter dormido pouco nessa noite, porque me deitei já de madrugada, mas juro que aquele momento me valeu por mais do que mil calmantes ou doze horas de sono.

3 comentários:

Tita disse...

Comida pesada para essa hora, mas arroz de marisco é mt boooooom.

Anónimo disse...

Eheh, arrozinho bem bom, mas de facto muito pesado para uma hora daquelas... Ui, a minha barriga que o diga! Valeu a companhia e, já agora, quando repetimos a dose? Proponho nas noites de Leste, desta vez para queimar calorias a dançar!
S.

Maria Inês disse...

Toma valdispert à vontade que isso não faz NADA! Sério! In fact, se tomares uma caixa inteira não te acontece nada! (não que eu tenha tentado...) E sim já tomei coisas muito mais fortes... porque o vasdispert não fazia mesmo nada. (mas já me deixei disso.) E viva a valeriana.