terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Circunstâncias

Há uns tempos, uma amiga dizia-me, desanimada, que “a amizade é circunstancial”. Que somos amigos de determinadas pessoas em determinadas circunstâncias da vida, e que deixamos de ser quando essas circunstâncias mudam. “Mas não”, lembro-me de ter exclamado, cheia de uma filosofia positiva saída nem sei bem de onde – “o que se faz é generalizar e chamar de amizade relações que não são de amizade, porque a amizade é o que ultrapassa essas circunstâncias”, e mais um bla bla bla infinito de que os verdadeiros amigos continuam presentes na nossa vida apesar de circunstâncias, fases da vida ou mudanças de emprego.
Não sei se era ela que já sabia mais do que eu nessa altura, se fui eu que passei a saber menos e me tornei mais amarga, mas nunca como agora a amizade me pareceu tão circunstancial. E pergunto-me qual foi o momento em que passámos a ver-nos sem nos ver.

4 comentários:

SMS disse...

Infelizmente, ela já sabia mais do que tu. A amizade, salvo raríssimas e honrosas excepções, é mesmo circunstancial. Parte-se-me o coração aos bocados de o dizer, de o constatar, de o confirmar. Mas eu também já fiz o teu discurso. E também já percebi que estava errada. É pena. Eu tento que não seja. Mas é.

Mnemosine disse...

as verdadeiras amizades são de se guardar bem guardadas, pq nos dias que correm são raras!

J* disse...

Recentemente identifiquei-me com este post. Obrigada pelas palavras tão acertadas na altura certa.

J* disse...

correcção: e na altura certa.
(e que se lixe a repetição)